Semana passada assisti a um daqueles vídeos disponíveis no You Tube: um discurso do Steve Jobs (um dos fundadores da Apple e da Pixar) para formandos da universidade de Stanford. Creio que alguns já assistiram (caso ainda não tenha assistido, vale a pena). A questão que ele levanta, essencial à nossa capacidade de superação, é a vontade de seguir adiante e a fé que precisamos para acreditarmos que tudo dará certo, independente do contexto em que nos encontramos.
Eu tinha apenas 12 anos quando minha mãe se foi... Naquele momento, minha capacidade de discernimento entre o real e o fictício era quase que nula. Durante uns seis meses sonhava praticamente toda a noite, que ela estava retornando à nossa casa de uma breve viagem que havia feito de última hora. Fantasias à parte, o fato é que a realidade era insuportável demais pra minha cabecinha... inventá-la era a maneira mais fácil e acessível de suportá-la. Acreditar que tudo aquilo era verdade significava perder toda a minha concepção de vida e encarar que teria que refazê-la, por mais duro e assustador que isso poderia ser.
Então parei no tempo... vivi uns dois anos como não houvesse ontem, hoje e muito menos amanhã. Não me lembro de praticamente nada. Depois vim a descobrir que isso se chamava memória seletiva: quando vivenciamos uma situação muito traumática, nosso cérebro trata de ativar um mecanismo de auto defesa e acabamos por armazenar aquela lembrança tão difícil num lugar que nem nós mesmos sabemos.
Minha fé se perdeu, assim como eu. Resgatá-la foi uma das tarefas mais difíceis da minha vida. Foram anos e anos de muita omissão, luta e de muita terapia pra descobrir que ela estava logo aqui, e que só podia enxergá-la quando aceitasse que por trás da sombra, havia a luz, por trás da noite, havia o dia. Assim como disse Steve Jobs no tal vídeo, se não acreditarmos e tivermos fé não teremos a base, o alicerce pra continuarmos aqui neste mundo. Vi minha mãe perder esta fé desde muito nova... e entendo como a vida deve ser insuportável quando somos incapazes de acreditarmos em nós mesmos.
Hoje, apesar de ‘titubear’ em determinadas situações, não me permito perder a crença de que existe algo maior que eu... não me permito atuar como vítima. Histórias como a minha acontecem por um motivo. E acreditar nisso é, antes de tudo, aceitar que temos um papel neste mundo e deixar que cada momento seja único, que cada gesto, por menor que seja, seja pleno em significância e valor.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
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